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A pandemia do coronavírus acabou adiando os planos de muitas pessoas. Eventos tiveram de ser cancelados, viagens foram postas de lado e mesmo os planejamentos mais simples – como uma saída com amigos –, precisaram ser evitados. 

No meio de tantas idas e vindas de quarentenas, isolamentos e liberações, foram exigidas adaptações não só no âmbito pessoal, como também no profissional. E, por mais que o ser humano tenha a capacidade de se adaptar, todo esse processo de elaboração e ajuste é desafiador – ainda mais quando as mudanças precisam ser rápidas e não oferecem o tempo necessário para que tudo aconteça naturalmente.

Hoje, um dois anos depois do começo do isolamento social, nós vemos que a vida das pessoas mudou quanto ao lado mental de cada um. Voltamos a ver mais transtornos emocionais, pessoas que voltaram a ficar ansiosas e a se descompensarem da mesma forma como no início da pandemia, quando ainda estávamos nos acostumando com a quarentena.

Isso acontece porque, com a vacinação, as pessoas começaram a flexibilizar esse distanciamento. Assim, de um lado existe uma força, uma pressão, daqueles que não aguentam mais ficar em casa enquanto, de outro, existe o receio, o medo, de se contaminar ou de trazer o coronavírus para dentro de casa.

Essa é uma ambiguidade contínua que termina gerando ansiedade. E não podemos nos esquecer que esse sentimento é traiçoeiro: quanto mais nos debatemos para sair dele, mas ele vai puxar a pessoa para baixo.

Mas existem saídas para sair desse ciclo vicioso! Vale lembrar dessa citação do empresário Abílio Diniz:

“Em vez de olhar pela janela e procurar o culpado, olhe para o espelho e procure ver onde errou. O que está de fora pode até ser muito importante, mas você não pode controlar.”

É claro que, no meio de uma pandemia, pensar em “erro” e “culpado” é um tanto quanto vago. No entanto, podemos fazer uma adaptação nessa frase: que tal pensar em “Em vez de olhar pela janela e ficar desesperançoso, olhe para o espelho e procure ver como posso aproveitar o momento para investir em mim”? É isso que precisamos incentivar.

A pandemia gerou diversas mudanças e todos nós sabemos disso. Mas, e no mundo corporativo?

Para começar, não podemos esquecer de como as soft skills – habilidades de colaboração, flexibilidade, trabalho sob pressão, comunicação eficaz, liderança de equipe, gestão de tempo e resiliência – de um colaborador se tornaram muito mais importantes para uma organização que as próprias características técnicas. Até porque, os gestores perceberam que as ações de seus times impactam diretamente o desenvolvimento de outras áreas da empresa.

Além disso, o conceito de long life learning tomou outro patamar: a educação parou de se tornar uma conquista, e passou a ser o oxigênio para qualquer carreira. É praticamente obrigatório estar se reciclando de forma constante para que todo o conhecimento continue atualizado.

Enquanto isso, os recursos humanos perceberam que não devem dar as respostas prontas para resolver os problemas dos colaboradores e sim estimular que eles mesmos encontrem essas soluções e sejam protagonistas de suas próprias carreiras dentro das organizações.

Infelizmente, não existe atalho para a mudança, é um esforço permanente que fica ainda mais difícil com a pandemia. Esse momento coloca a prova tudo aquilo que sabíamos – ou achávamos que sabíamos – sobre as pessoas e sobre nós mesmos.

Mas, uma coisa não pode mudar: nossa vontade de evoluir.

Enquanto nossos avós lutavam por trabalho e nossos pais buscavam emprego, nossa geração deseja uma carreira e nossos filhos correrão atrás de um propósito. Essa transformação do trabalho braçal para o trabalho com o coração, do sangue nos olhos para o brilho nos olhos é contínua e cabe a nós mantê-la viva. Inclusive porque o brilho no olho faz diferença nos resultados e no comprometimento de cada um.

O atual momento pode ser visto como um jogo de pôquer: as cartas ainda não foram distribuídas e continuam jogadas na mesa. Ainda não sabemos o que irá acontecer e o que vamos fazer a partir daí. Por isso, é a chance perfeita para criarmos estratégias de jogo, ou seja, adaptando para o mundo real: agora é a hora para as pessoas encontrarem seus propósitos e se capacitarem.

Vemos e continuaremos a ver uma aceleração das novas possibilidades de trabalho, cujos profissionais estarão ao redor do mundo, colaborando com seus interesses e conhecimentos.

A mentalidade que está se modificando não é apenas do empregador, mas também do colaborador.

E não podemos ficar assustados com isso! Ou a gente acerta, ou a gente aprende. Não tem outra opção. As experiências que temos, incluindo os erros, são nossas maiores fontes de aprendizado.

Então, para que esse novo modelo funcione de forma global, é essencial que as pessoas estejam juntas em todos os momentos, principalmente nos difíceis. Que, assim, não percam o contato, se apoiem, se ajudem, se abram e possam experimentar todas as novidades que vem por aí.