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Quando se pensa em liderança de alta performance, em primeiro lugar se tem em mente o objetivo dos líderes de obter o desempenho máximo do seu time. Este universo é composto por temas como um planejamento estratégico consistente, uma gestão estratégica, uma gestão orientada a resultados trabalhado muitas vezes por meio de métricas e indicadores e um ambiente voltado para a inovação.

No papel do colaborador, de acordo com DRUMOND (2020), os cinco pilares que motivam a alta performance são o pilar financeiro, o profissional, o corpo e a mente, o emocional e o dos relacionamentos. Este autor defende, com base na observação de pessoas de alta performance, um equilíbrio entre esses pilares. Ok, um líder pode já ter atingido este equilíbrio, e como ele exerce uma liderança de alta performance?

O que seria, de fato, uma Liderança de alta performance? A liderança de alta performance pode ser compreendida como um processo orientado a despertar nos liderados o autoconhecimento e o desejo do autodesenvolvimento constante. Para uma liderança de alta performance não pode faltar flexibilidade para mudanças, foco no desenvolvimento de pessoas, espírito colaborativo, criatividade e inovação e, estratégia antecipativa para a gestão de riscos. Nesse processo orientado que uma liderança de alta performance constrói, ela pode se utilizar de diversas estratégias e algumas delas serão vistas a seguir.

Planejamento estratégico x gestão estratégica

Começamos a tratar da gestão estratégica destacando-a do planejamento estratégico. Estes são termos muito usados no cotidiano das organizações, mas que não devem ser confundidos. O planejamento estratégico consiste envolve administradores e colaboradores de uma empresa e consiste em um processo gerencial. Enquanto a gestão estratégica corresponde aos gestores e líderes e consiste em um conjunto de técnicas, ferramentas e processos de análise que interferem na tomada de decisão no cotidiano das lideranças.

Quando se fala de planejamento estratégico se fala de antecipação. Planejar significa antecipar. O planejamento deixa a gestão menos exposta a incertezas e muitas vezes se constitui por um processo que envolve a análise de fatores tanto do ambiente interno quanto do ambiente externo da empresa. Com base na conhecida matriz SWOT, o planejamento estratégico pode ser segmentado em quatro etapas: análise do ambiente interno, com suas forças e fraquezas, análise do ambiente externo, com suas oportunidades e ameaças, a formulação de estratégias a partir do diagnóstico das etapas anteriores, sua implementação e controle.

Uma das ferramentas importantes para a formulação de estratégias é o triângulo estratégico. Proposto por COSTA (2007), se compõe pelos seguintes vértices: (1) o propósito da organização – o que ela quer ser, (2) o ambiente externo – o que ela pode fazer, (3) a capacitação – o que ela sabe fazer. No centro desse triângulo situam-se as estratégias, ou seja, aquilo que, de fato, a organização realizará. De forma bem resumida, entende-se que a análise desse triângulo estratégico sugere que uma nova estratégia deve ser avaliada que acordo com as mudanças no cenário que compõe esses três vértices. Nesse contexto, uma nova estratégia a ser adotada deve sempre estar alinhada a esses três vértices. Há muitos outros métodos e ferramentas que embasam o planejamento estratégico e este triângulo é apenas uma das tantas ferramentas existentes. Seguimos com a gestão estratégica…

Ferramentas de gestão e melhoria de processos

Ao logo das últimas décadas, diversas ferramentas de gestão foram desenvolvidas no intuito de apoiarem os gestores na resolução de problemas e tomada de decisões. Quando se fala em processos de melhoria contínua de uma organização se faz referência ao uso sistemático de técnicas e ferramentas consolidadas pela ciência capazes de orientar a gestão a conduzir mudança ágil e contínua de estratégia.

O programa 5S tem origem no Japão e se relaciona com práticas de gestão da qualidade. Os 5 s constituem se constituem como premissas para outras ferramentas e promovem um cuidado básico relativo à ordem, limpeza e disciplina. Eles são o Seiri (senso de utilização), Seiton (senso de arrumação), Seiso (senso de limpeza), Seiketsu (senso de saúde e higiene) e Shitsuke (senso de autodisciplina).

Outra ferramenta interessante é o ciclo PDCA que foi divulgado na década de 1950 e é uma das ferramentas mais conhecidas quando se fala em melhoria contínua. A sigla vem do idioma inglês e significa planejar (Plan), executar (Do), verificar (Check), e Ação (Action), remetendo à ação corretiva. A ferramenta tem utilidade não apenas nas atividades rotineiras como tem o potencial de oferecer amplo valor na identificação e planejamento da melhoria e avaliação do processos estratégico da gestão.

Há outras ferramentas de gestão como o diagrama de causa e efeito, o princípio de Pareto, MASP – Metodologia de Análise e Solução de Problemas, dentre outros que tornariam este tópico muito extenso se descritos em detalhes. A ideia deste item foi apresentar algumas ferramentas de melhoria de processos que podem ser utilizadas por lideranças para resolução de problemas e agilidade, fatores importantes para o desenvolvimento da alta performance de um time.

Inteligência de Mercado e Modelos de gestão

Um dos elementos que uma liderança pode se utilizar para ampliar a performance do seu time é a inteligência de mercado, que pode estar relacionada aos mais deferentes modelos de gestão. Essa ferramenta consiste em algum tipo de processo que se inicia na coleta de dados que, por sua vez são transformados em informações analisáveis para tomada de decisão nas empresas. Atualmente, as empresas líderes de mercado têm por prática os mais diversos processos de inteligência que, de acordo com o setor de atuação pode assumir diferentes características. Uma de suas principais funcionalidades consiste em apontar ameaças e oportunidades a fim de formular estratégias, seja para combater as ameaças, seja para otimizar as oportunidades.

A inteligência de mercado está, assim, diretamente relacionada à busca de melhores resultados e construção de vantagens competitivas para as empresas. Essa ferramenta pode estar aplicada à análise do ambiente externo (fornecedores, concorrentes, parceiros e consumidores) ou também estar relacionada a outros tipos de inteligência, tais como: inteligência empresarial (Business Intelligence), inteligência competitiva, inteligência humana, inteligência financeira, inteligência tecnológica, inteligência de marketing e inteligência de vendas. Estes diferentes tipos de inteligência se diferenciam pelo objetivo que cada uma visa a atender, entretanto, não se pode deixar de destacar a proximidade entre as inteligências de mercado, competitiva e de negócios, considerando que o foco desses três tipos de inteligência é a busca para o melhor resultado para as organizações.

Podemos embasar a inteligência de mercado a partir do ciclo de inteligência que diferencia e escala nessa ordem dados, informação, conhecimento e inteligência. Os dados são o insumo bruto o input (entrada), sinais que ainda não foram processados ou nem mesmo interpretados. A informação é o termo que denomina esses dados após serem processados para serem exibidos de forma inteligente e estruturada. O conhecimento gerado é o resultado da análise e interpretação dessa informação. Esses conhecimentos são devidamente contextualizados e são destacados os conhecimentos mais influentes para embasar tomadas de decisão, conduzindo a ações mais eficientes e eficazes.

O primeiro modelo de gestão a ser visto é a gestão por processos. Os processos são conjuntos de atividades que já existem nas empresas, mesmo que elas não optem por assumir um modelo de gestão por processos. O gerenciamento de processos depende, primeiramente, de um mapeamento de processos que é normalmente um procedimento realizado por meio de entrevistas com seus executores, no caso dos processos que já estão em curso dentro das empresas. Uma das ferramentas mais conhecidas para mapear processos é o famoso 5W2H que consiste em um acrônimo de algumas perguntas simples em inglês What? Who? Where? When? Why? How? How much? (O que? Quem? Onde? Quando? Por quê? Como? Quanto (custa)?). Na aplicação desta ferramenta aos processos pode assumir as seguintes perguntas: Qual é o processo? Quais as etapas do processo? Quanto tempo demora cada atividade? Quem realiza cada atividade? Onde as etapas desse processo são realizadas? Quais são os custos envolvidos no processo? Quando esse processo é realizado? Por que esse processo é realizado? Nesse mesmo sentido, para a melhoria dos processos, são revisados cada um dos elementos dos 5W2H.

O mapeamento e a melhoria de processos são ferramentas que trazem benefícios e ganhos à empresa tais como mais eficiência, a garantia da qualidade, melhor dimensionamento da força de trabalho bem como sua descentralização. Neste tipo de gestão, a inteligência de mercado aparece como um elemento de extrema importância pois as análises de mercado realizadas poderão sugerir alterações de diversos processos internos das organizações. Além disso, ao se deparar com exemplos de processos eficientes no mercado, os profissionais da organização poderão reconhecer, melhorar e padronizar os processos de inteligência e as entregas que devem ser realizadas.

A gestão por indicadores, segundo modelo a ser visto, pode ser o método de gestão geral da empresa, de suas estratégias, setores ou de seus projetos. Neste modelo destacam-se três principais ferramentas: Key Performance Indicators (KPI) – Indicadores-Chave de Desempenho, Balanced Scorecard (BSC) e Objective and Key Results (OKR). Os KPIs representam, não todos, mas os principais indicadores de desempenho das empresas, os PIs (Performance Indicators) representam os demais indicadores da empresa, que podem ser essenciais para empresas, ou que podem ser métricas que representam apenas a situação de um setor da empresa (marketing, operações, financeiro, etc.) e, por sua vez, no mesmo sentido, os KIT e KIQ, antes de se definir os indicadores, devem identificar quais são os principais resultados esperados pelos setores e pela empresa no geral. Indicadores de desempenho não devem ser financeiros (assumindo formas como a percentual), devem ter periodicidade definida e devem ser testados quanto à sua viabilidade de acompanhamento periódico, e, por fim, devem ser definidos conjuntamente por membros internos à equipe e , eventualmente, contando com a participação de membros externos a ela.

O BSC é uma ferramenta de gestão estratégica baseada em objetivos, metas, indicadores e planos de ação para alcançar os resultados pretendidos, assim como os KPIS. O BSC se debruça sobre quatro perspectivas para analisar as empresas: a perspectiva financeira, a de clientes, a dos processos e a perspectiva de aprendizado e crescimento. Um dos seus componentes é o mapa estratégico que aponta para a definição da identidade corporativa (missão, visão e valores), seus objetivos e metas financeiras, os objetivos e metas sob a perspectiva dos clientes, os objetivos e metas sob o viés dos processos, e os objetivos e metas sob ponto de vista do aprendizado e crescimento.

A metodologia OKR tem uma aplicabilidade mais simples do que as anteriormente citadas. Ao elencar objetivos e resultados-chave, são facilmente implantados e podem ser utilizados em diferentes setores das empresas. Os OKR´s se diferenciam dos KPI´s pois, enquanto os KPIs indicam que as empresas realizem a revisão de toda a empresa para encontrar os principais indicadores de desempenho, os OKRs não demandam a revisão de toda a empresa e possuem um processo menos complexo.

A gestão por indicadores apresenta uma íntima relação com a inteligência de mercado. Mais importante do se definirem indicadores e mensurá-los é compreender que tipo de conhecimento esses indicadores estão gerando e para que tipo de tomada de decisão eles apontam. Neste sentido, é pouco relevante se a empresa adotará um ou outro modelo de gestão por indicadores, desde que os indicadores definidos contribuam para a identificação de ameaças ou oportunidades ao processo ou ao negócio como um todo, apontando para tomadas de decisão e ações mais assertivas.

Gestão da inovação

A inovação pode ser compreendida como a exploração com sucesso de novas ideias, ou como um processo de crescimento e desenvolvimento pessoas ou de um time, ou mesmo como um projeto de diferenciação no mercado. O primeiro passo para inovar tem muito a ver com romper paradigmas. O maior vilão da inovação pode ser a autocensura. Por isso, o primeiro desafio para um líder que deseja inovar é identificar e compreender seus próprios preconceitos e crenças para se propor a enfrentá-los.

O segundo passo é questionar-se: Por que determinada coisa incomoda? Por que ninguém ainda resolveu isso? E se fizéssemos isso? E se resolvêssemos de tal forma? Como podemos fazer isso? Como isso será possível? As perguntas funcionam como um brainstorming, de modo que no meio de uma chuva de ideias se possam encontrar pingos de soluções.

O terceiro passo tem muito a ver com estar atento às pessoas ao redor da questão. A inovação tende a se desenvolver como a solução para algum problema e, nesse tipo de situação é muito importante acolher todas as ideias, valorizando-as, transmitindo segurança, lidando com erros, encarando incertezas e confiando no time, incentivando a autonomia de cada um. Pois, muitas vezes, a boa ideia que surge de uma pessoa no fim do percurso de uma discussão, como o curso de um rio que recebe águas de seus afluentes e desemboca no mar, sofreu contribuições de várias pessoas ao longo do debate até que emergisse a tal ideia em uma pessoa, mas como resultado da contribuição de todo um time.

Conclusão

O percurso de um líder para desenvolver um time de alta performance é um caminho muito particular. Ainda que muitas vezes um líder trate de processos mais do que de pessoas, é sempre importante se ter em mente que processos, dos mais simples aos mais complexos, são realizados por pessoas e elas são o principal pilar das mudanças. Conhecer as pessoas do seu time e desenvolvê-las são o principal caminho para construir um time tecnicamente preparado, comprometido com suas entregas e orientado a resultados. A abordagem de ferramentas e metodologias supra citadas como o planejamento estratégico, a gestão estratégica, a melhoria de processos a inteligência de mercado e a gestão da inovação são muito importantes, mas suas implementações se tornam eficientes e eficazes, principalmente tecnicamente preparado e comprometido e, para isso, o mais importante é ser um líder inspirador.