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O líder é a peça chave para um excelente desenvolvimento da cultura organizacional, pois é ele quem direciona as ações e consegue enxergar os pontos que realmente precisam de uma maior atenção.

Antes de disseminar a cultura, o próprio líder precisa ter um fit cultural com a organização para que a sua fala esteja congruente com os seus comportamentos. Quando não há esse match, fica muito mais difícil para a liderança ser exemplo, praticar a cultura e influenciar os colaboradores. É importante esclarecer que a cultura não é só a Missão, Visão e Valores da empresa, e sim tudo aquilo que é praticado e respeitado em todos os momentos e setores da empresa, mesmo que não esteja escrito ou muito explícito ou de fácil percepção.

Hoje vamos falar de alguns pontos importantes na qual o líder é o papel principal para o crescimento da empresa.

Antes de começarmos de verdade, preciso te dar uma dica: se quiser receber conteúdos super completos sobre RH (as principais notícias do RH, a evolução do papel da liderança, tendências ligadas ao DHO, métodos e ferramentas para gestão de pessoas e muito mais), você pode clicar aqui!

Cultura de Feedback

O feedback é extremamente importante para a melhoria dos processos e ajustes de qualquer projeto. Existem inúmeras formas de se aplicar um feedback, e aqui vão algumas dicas:

  1. Feedback não é julgamento e muito menos caça ao culpado, feedback é uma devolutiva do acontecimento, bom ou ruim, para que as pessoas consigam enxergar os resultados e visualizar o que pode ser melhorado na próxima situação.
  2. Feedback é instantâneo, não deixe passar muito tempo do acontecimento para falar com o funcionário o que precisa ser ajustado, pois muitas vezes algum detalhe importante pode ser esquecido.
  3. Feedback é diretivo, não tente disfarçar ou rodear muito para falar o que precisa ser dito. Vá direto ao assunto, lembrando que o que está em pauta é o fato e não o juízo de valor pessoal de nenhuma das partes.
  4. Feedback é comunicação assertiva com foco no positivo, ou seja, clareza e solução! Esses são os dois pontos chaves para que um feedback funcione.

Para que você consiga implementar uma cultura de feedback na sua empresa, esteja aberto a receber críticas, opiniões e ideias da pessoa que está recebendo seu feedback. A partir do momento que você se abre para o novo, sem julgamento e com uma escuta ativa, você consegue utilizar os dois pontos chaves: Clareza e solução, e consegue ter um modelo de feedback bem visto pelos colaboradores. Não é simples e nem fácil construir essa cultura, mas é possível, necessária e gera muitos resultados. Esse recurso deve ser implantado, desenvolvido e capitalizado pelo líder direto.

Demissão humanizada

Muito tem se falado hoje sobre processos e organizações humanizadas, mas você sabe o que é isso? De uma forma simples e reduzida, é o respeito e compaixão entre as pessoas. Como sempre, o líder possui uma imensa responsabilidade sobre isso, pois muitas vezes, o funcionário se demite pelo relacionamento com o líder e não pelo trabalho em si.

Uma demissão humanizada é aquela que você já deu todas as chances de melhoria para seu liderado. Você já fez o feedforward, você já fez o job rotation, você já fez o PDI, você já alterou alguns processos que ele estava insatisfeito, e mesmo assim não teve um bom resultado, ou seja, a demissão é uma consequência esperada e não uma surpresa que deixa em choque toda a equipe.

Uma demissão humanizada é aquela que você ao invés de esperar o funcionário trabalhar o dia inteiro para ter uma notícia desagradável, você inicia o processo de conversa com ele logo pela manhã num ambiente restrito na qual vocês não serão interrompidos.

Uma demissão humanizada é aquela que você sabe escutar as reclamações e sugestões do ex-colaborador e consegue identificar o que realmente faz sentido e coloca em prática no seu dia-a-dia.

Uma demissão humanizada é aquela que você respeita o abalo emocional do ex-colaborador e acolhe ele sem julgamentos e sem ficar justificando seus atos dizendo que não é pessoal.

Uma demissão humanizada é aquela que você utiliza a sua rede de network para fomentar a rede de contatos do ex-colaborador, aumentando suas chances de recolocação.

Essas e outras práticas de demissão humanizada também podem ser introduzidas na cultura da sua organização, basta planejar e agir com foco nas pessoas.

Desenvolvimento do time

O desenvolvimento do time varia muito de acordo com o contexto da organização, com o momento que ela está passando, com os objetivos estratégicos e com o perfil das pessoas envolvidas. O líder é quem vai identificar esses pontos e direcionar os treinamentos. Esse desenvolvimento deve ser feito em parceria com o RH, ou melhor, todos os assuntos deste artigo, devem ser tratados em conjunto entre o RH e a liderança. Nada pode ser feito de forma isolada, senão, teremos resultados insatisfatórios.

O RH não pode tomar as decisões e agir sozinho e o líder também, não pode tomar a decisão e agir sozinho.

Existem alguns pontos que são muito importantes para serem desenvolvidos no time: comunicação, inteligência emocional e gestão do tempo, porém, existe um que quase ninguém desenvolve e é crucial para o bem-estar e felicidade no trabalho: valorizar e utilizar as forças pessoais dos colaboradores. Há um assessment chamado VIA (Values in Action) da Psicologia Positiva que identifica quais são nossas principais forças de caráter representadas num agrupamento de 6 virtudes, que pode ser utilizado para aproveitar as qualidades de cada colaborador a fim de desenvolver um melhor trabalho com mais resultados. Esse assessment pode ser utilizado também no recrutamento e seleção.

Ele possui uma versão gratuita e aberta para qualquer empresa que quiser utilizar. Temos também outra forma de desenvolver os colaboradores e as empresas através do modelo PERMAH (emoções positivas, engajamento, relacionamentos positivos, sentido/propósito, realização e saúde) de florescimento, também da Psicologia Positiva. É um trabalho de longo prazo que impacta muito positivamente todo o ambiente organizacional e aumenta significativamente a qualidade de vida dos colaboradores.

A estratégia do sucesso 1:1

One-on-one ou cara a cara, é um modelo de reunião de duas pessoas: o colaborador e o seu líder. Essa é uma reunião hiper produtiva que serve para alinhamento das expectativas, planejamento, construção de metas, entrega de resultados, desenvolvimento profissional, e pessoal também, pois somos seres integrais e sistêmicos, ou seja, tudo que afeta o nosso trabalho afeta a nossa vida e vice e versa.

Essa reunião poder ser direcionada de acordo com a demanda e necessidade do momento, mas é primordial que seja clara e objetiva.

Sua periodicidade pode ser semanal ou quinzenal com duração ente 30 e 45 minutos, dependendo da quantidade de funcionários da sua equipe e seu objetivo principal. Sabemos que o acompanhamento de perto da equipe é primordial, sabemos também que expor determinados assuntos mais restritos numa reunião longa e cansativa com todos não é uma boa estratégia, então, a reunião 1:1 resolve esses impasses e ainda produz mais resultados. É importante que a reunião tenha uma pauta e um direcionamento focado no colaborador, pode até ser utilizada como uma sessão de coaching para um melhor desenvolvimento do funcionário.

Essa pauta não é definida só pelo líder, o colaborador também precisa se posicionar e trazer assuntos do seu interesse. A reunião 1:1 é mais profunda e gera uma confiança entre o líder e o liderado para que eles consigam trabalhar de uma forma mais cooperativa e sustentável.

Employee Experience

É interessante que o funcionário tenha uma trilha para caminhar dentro da organização, e essa trilha podemos chamar de jornada do colaborador. A jornada precisa estar muito alinhada com a cultura da empresa, pois caso contrário, ela servirá só para virar assunto da rádio corredor de que a empresa está querendo mostrar algo que não é verdadeiro.

Essa jornada se inicia na atração de talentos com a divulgação da vaga, passa pela seleção, integração, desenvolvimento, retenção até chegar na demissão onde pode ser feito um trabalho pós empresa.

Toda essa estrutura tem sido muito falada e virou moda, porém muitas empresas estão se prejudicando com isso, pois estão “comprando” um produto de prateleira e colocando para rodar, só que não é bem assim que funciona. A jornada precisa fazer sentido com a verdadeira necessidade do colaborador. Muitas vezes, a jornada completa não cabe numa determinada cultura e não vai solucionar o problema daquele líder. É preciso fazer uma análise muito apurada do contexto organizacional e construir uma trilha personalizada que atenda a demanda daquele momento em que a empresa está passando.

O Employee Experience é algo para ser desenvolvido entre o RH e a liderança, conforme já mencionado, todas as intervenções que dizem respeito a gestão de pessoas, devem ser feitas assim. Então, preste atenção se você está construindo um onboarding cheio de brindes só para que seus novos funcionários postem uma foto no LinkedIn ou se realmente você pode incluir ou substituir os brindes por um treinamento sobre a cultura da empresa, um funcionário já experiente que acompanhe e ensine o que a nova pessoa precise fazer, que mantenha o sistema funcionando, que tenha um verdadeiro acolhimento pelo time e que proporcione um ambiente adequado para um bom início da parceria entre a empresa e o novo colaborador.

Employer Branding

O Employer Branding é a sua marca empregadora. É o impacto que ela causa nas pessoas. O que a sua marca tem realizado pela sua empresa? A sua marca atrai as melhores pessoas para a sua organização? A sua marca é respeitada e desejada pelos consumidores? A sua marca é sustentável? Posso ficar aqui o dia inteiro te fazendo mil perguntas sobre a sua marca, mas a principal é: Sua marca é verdadeira? E você vai me responder com uma outra pergunta: Como assim, verdadeira? E eu te respondo com mais perguntas: A sua marca é congruente com o que posta nas redes sociais e o que pratica internamente? A sua marca possui valores, propósito e uma cultura positiva bem definida e disseminada internamente? Os seus funcionários estão satisfeitos com as práticas e processos internos da sua marca? Os seus colaboradores estão felizes no trabalho e defendem a sua marca para outras pessoas?

Pois é, muita coisa para pensar e analisar, né!? Para que realmente a sua marca empregadora seja sólida e confiável, você precisa ter uma base estrutural muito forte. As políticas internas precisam estar de acordo com a realidade praticada na sua organização. O Employer Branding não é só sobre atrair os melhores candidatos, e sim sobre se tornar uma empresa sustentável e que faz a diferença no mundo dos negócios. E agora, a pergunta final: Se sua empresa fechasse as portas hoje, qual é a falta que ela faria no seu bairro, na sua cidade, no seu estado e no seu país?

Ferramentas para o desenvolvimento da saúde mental do time

Umas das ações mais importantes que a empresa e que o líder deve fazer é cuidar da saúde mental dos seus funcionários. O Brasil é o segundo lugar no ranking dos países mais depressivos das Américas. De acordo com o ISMABRASIL, associação internacional do estresse, 32% dos trabalhadores economicamente ativos possuem sintomas de Burnout. Isso é assunto que impacta diretamente nos resultados das empresas, por isso trago aqui algumas dicas de atividades para melhorar a saúde mental dos seus colaboradores:

• Palestras com psicólogos sobre saúde mental;
• Práticas de Mindfullness;
• Day off (folga);
• Direito a desconexão por um período;
• Um dia sem reunião;
• Plantão e acolhimento psicológico;
• App de atendimento psicológico;
• Ginástica laboral;
• Palestra sobre educação financeira;
• Descontos em academias;
• Ações de endomarketing, etc.

Lembrando que isso deve ser implementado de acordo com sua estrutura e precisa fazer sentido, pois se não fizer sentido, procure outras práticas que possam te ajudar de maneira mais assertiva.

Ufa! Muita coisa, né!? Mas não se preocupe, faça o que der! O importante é entrar em movimento! Comece aos poucos e se precisar de ajuda, saiba que nós da Conexão Talento estamos aqui para ajudar vocês!

Saiba que você como líder, tem uma responsabilidade muito grande, mas que também precisa praticar tudo isso, afinal de contas, você também é um colaborador e está junto de todos no mesmo barco!

Tenham uma excelente semana!